Marcado: justiça social
- Este tópico contém 2 respostas, 2 vozes e foi atualizado pela última vez 4 anos, 5 meses atrás por
MANOEL CARLOS UCHOA de oliveira.
-
AutorPosts
-
13 de outubro de 2020 às 18:29 #10181
MANOEL CARLOS UCHOA de oliveira
ParticipanteA professora Luanna Tomaz na palestra de abertura tocou na questão dos impactos dos projetos na educação para a justiça social ou direitos humanos. Uma das questões enfatizadas foi a diversidade em sala e o contato com outras realidades. Por outro lado, o professor Fabio tratou da advocacia pro bono como uma vertente da formação para a justiça social. É possível definir alguns indicadores para mensurar os impactos em relação às clínicas e a educação para a justiça social?
16 de outubro de 2020 às 14:00 #10196Equipe IDDH
ParticipanteOlá Manoel, muito obrigado pela pergunta! Quando falamos sobre metodologias e práticas pedagógicas, a preocupação com a avaliação, tanto dos/as estudantes quanto da prática em si, é importante e muito presente na inquietações dos/as docentes.
Bom, primeiro precisamos considerar que para “avaliar” a educação clínica e pensar em indicadores para tal avaliação, devemos pensar em duas vertentes. Primeiro, temos os impactos na formação dos/as estudantes, o impacto que acontece dentro da universidade, na relação de ensino-aprendizagem. A segunda vertente diz respeito aos impactos sociais da atividade desenvolvida. É bastante importante considerar que os indicadores precisam ser analisados em cada uma das atividades desenvolvidas.
Para exemplificarmos a situação, vamos falar de um dos projetos desenvolvidos em parceira do IDDH e da Clínica de Direitos Humanos da Univille, o Projeto “Mulheres no Cárcere em Santa Catarina: onde estão seus/suas filhos/as”, que você pode conhecer melhor no site: https://mulheresnocarcere.iddh.org.br/.
Nos indicadores da primeira vertente, temos que pensar no impacto na formação e na vida dos estudantes. O primeiro passo é pensar em avaliações sistemáticas do desenvolvimento de competências e habilidades, pelo menos uma vez no início e outra no fim do período letivo, com feedbacks e conversas rotineiras sobre o processo de desenvolvimento de tais competências e habilidades. Outro fator importante e bastante comum às Clínicas Jurídicas é permitir que o/a próprio/a estudante possa dizer o que acredita que teve oportunidade de desenvolver naquele período, que possa fazer uma autoavaliação do desenvolvimento das habilidades e competências. No projeto supramencionado, e o que percebemos geralmente, nesses anos todos trabalhando com a temática, é que há um alto percentual de alunos que percebem alguns indicadores, como a possibilidade de praticar empatia, mediar conflitos, perceber a importância e realizar incidência extrajudicial, maior facilidade para se comunicar, os desafio de trabalhar em equipe, etc.
Além disso, considerando a exposição do nosso convidado da Conferência de Abertura, Fábio de Sá e Silva, podemos perceber que as próprias carreiras que as pessoas que passam pela clínica vão seguir e que podem ser identificadas depois de algum tempo que essa pessoa se formou. Podemos analisar que vários/as integrantes da nossa Clínica foram trabalhar em atividades diretamente ligadas com justiça social e direitos humanos, sendo professores/as de direitos humanos, advogados/as do sistema interamericano de direitos humanos, aqueles/as que fazem advocacia pro bono, defensores/as públicos, etc. E, ainda, existem outros/as ex integrantes da Clínica que trabalham em corporações, grandes escritórios, advocacia particular, etc. e que tem um posicionamento mais crítico e reflexivo, o que é bastante difícil de mensurar.
Se formos pensar nos indicadores da segunda vertente, que pretendem medir o impacto social, podemos analisar no contexto, o número de pessoas entrevistadas, o número de pessoas atendidas, quantas e quais foram as ações realizadas, etc. Nesse projeto, os/as estudantes entrevistaram 24 encarceradas no Presídio Regional de Joinville, fizeram pesquisa de dados sobre as mulheres que preenchiam os requisitos da Lei em âmbito estadual, analisaram a jurisprudência catarinense sobre o tema, também auxiliaram em uma ação judicial e realizaram duas Audiências Públicas, uma em âmbito municipal e outra em âmbito estadual. Esses todos são indicadores de impactos sociais provocados pelas atividades da Clínica. Embora alguns sejam mais difíceis de mensurar, todos compõem potencial de mudança e ampliação de justiça social.
Essas questões são extremamente interessantes e serão abordadas na nossa oficina de Clínicas!
E você, já pensou em possíveis indicadores de avaliação para uma prática clínica?19 de outubro de 2020 às 18:29 #10214MANOEL CARLOS UCHOA de oliveira
ParticipanteMuito obrigado!
-
AutorPosts
Você deve fazer login para responder a este tópico. Login here